

fotos de karmen orlic grzetic
algures no espaço o tempo parou
deixando o vazio indefinível da história em ruptura
cíclica, a sua linha trucida e esmaga a cabeça que se erguia
verga-lhe a vontade
ir em frente, é verdade, deixando algures pedaços de nós
vamos, vamos numa cada vez mais terrível incompletude
à procura dos outros
à procura nos outros da força que nos falta,
e se de repente nos descobrimos sós, o horizonte é já ali,
o mundo perde a perspectiva e, sem janelas,
descobrimos um universo de paredes que nos enclausuram
há palavras terríveis,
há pensamentos temíveis,
ideias que escondemos longe
o mais longe que podemos
até que os relentos deestruidores que libertam se diluam e as possamos aproximar sem sufocar
entretanto
olhamos em volta e procuramos reconstruir a nossa normalidade
à imagem da normalidade que nos é estranha, certos de encontrar, algures, neste jogo de espelhos, a imagem de nós que gostaríamos de ter
um dia
devemos reconstruir muralhas em cima do que fomos, mesmo quando não o fomos?
: incapazes de corrigir a marcha ininterrupta para o abismo
é essa a sentença que nos custa assumir, no diálogo impossível do verdugo e da vítima









