quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

quebra



fotos de karmen orlic grzetic

algures no espaço o tempo parou
deixando o vazio indefinível da história em ruptura

cíclica, a sua linha trucida e esmaga a cabeça que se erguia
verga-lhe a vontade

ir em frente, é verdade, deixando algures pedaços de nós
vamos, vamos numa cada vez mais terrível incompletude

à procura dos outros
à procura nos outros da força que nos falta,

e se de repente nos descobrimos sós, o horizonte é já ali,
o mundo perde a perspectiva e, sem janelas,
descobrimos um universo de paredes que nos enclausuram

há palavras terríveis,
há pensamentos temíveis,
ideias que escondemos longe
o mais longe que podemos
até que os relentos deestruidores que libertam se diluam e as possamos aproximar sem sufocar
entretanto
olhamos em volta e procuramos reconstruir a nossa normalidade
à imagem da normalidade que nos é estranha, certos de encontrar, algures, neste jogo de espelhos, a imagem de nós que gostaríamos de ter

um dia

devemos reconstruir muralhas em cima do que fomos, mesmo quando não o fomos?
: incapazes de corrigir a marcha ininterrupta para o abismo
é essa a sentença que nos custa assumir, no diálogo impossível do verdugo e da vítima

segunda-feira, 10 de Agosto de 2009

pistas





sexta-feira, 3 de Julho de 2009


da ideia do teu corpo
desenhado a grafite
ruína das ruínas
germinam nuvens
pesadas de fumo
pó e luz
em trevas mortíferas

por entre os caminhos
eternos
onde te esconderam
ouço passos confusos que não dou
e o ressoar do silêncio que não quebro

o mundo do não
ser
saber
sofrer

é impossível a paz
quando o frio veste as mãos de fuligem e
o barulho do rodado dos carros
na rua molhada
lembra o fogo do inverno

da cozinha chega o aroma do café e
neste verão que é
embrulho-me na memória
do que não poderia ser

quarta-feira, 17 de Junho de 2009

des mots d'enfer



saurais-tu l'atteindre l'étendre l'éteindre ? là -
voilà ce qui pourrai être une histoire d'amour ou un drame
c'est pourquoi, il est interdit de jouer avec le feu
parce que le récit que l'on s'invente à partir de trois mots a la force d'un incendie voilà que le cerveau se met à inventer des jeux de mots brûlants
est-ce mon désir de traverser les flammes, d'aller au-delà de l'étincelle?
comme je souhaitrais pouvoir te réinventer, entière, dans ton visage humain, ta couleur de femme
t'offrir un destin autre, annuler ta fin - créer pour nous un vrai espace de bonheur
et ta tendresse - au lieu de ce silence qui m'étourdit, cette sensation désepérante de gâchis, de perte à tout jamais
je t'aime
je vous aime


terça-feira, 26 de Maio de 2009

l'espace de la mémoire







je ne sais pas ce que je signifie


o burro em pé



aprender a caminhar pelo que nos faz, 
o que reage em nós 
quando nos desconhecemos 
por actos e pensamentos 
sem pecado
com a persistência e 
a teimosia dos maníacos
e, sempre sempre,
espreitar o lado dos outros, 
sem os quais nos despenhamos 
e desistimos de ser
os outros e nós
nós e os outros
duas formas de desenhar o estar
o ser é outra questão



foto de rui palha

quarta-feira, 20 de Maio de 2009

sitiados? não!




todos os cercos têm um fim - e também a ditadura da ignorância e do autoritarismo. 
os calhaus rolam agora montanha abaixo, na sua queda inevitável e merecida. serão grãos de areia, pó, como todos os humanos feitos de pouco, julgando ser muito. 
a humildade e a arrogância são como as duas pontas de um mesmo fio. 
para os que hoje caíram, a arrogância ocupava-o todo; por isso, a derrota que sofreram terá o sabor da humilhação - a única forma de reaprenderem a humildade.
a exposição asinina nas festas da aldeia e as poses nos serões da província acabaram. a vaidade, por falta de nutrientes talvez desinche e passe. 
bendita mudança! 
tchim tchim